29 de fevereiro de 2012

Capitulo I - A chegada



Agarrei-me a ele com toda a minha força logo que o vi correr para os meus braços, pressionei o meu corpo contra o dele num tentativa de não o deixar mais desprender-se. Encostei a minha face sobre o seu peito e tentei controlar as lágrimas que insistiam em soltar-se. Tinha medo de abrir os olhos e aperceber-me que não passava de mais um dos tantos sonhos que imperavam sobre as minhas noites. Ele sussurrou algo baixinho ao meu ouvido e nesse momento tive a certeza que aquele momento era tão real quanto o possível, a sua voz era-me tão conhecida e reconfortante, o cheiro doce e harmonioso que o envolvia, e aquele seu corpo protetor e que naquele instante me pertencia totalmente.
- Teremos tempo de matar todas as saudades, mas agora estás a sufocar-me - e olhou para mim enquanto sorria.
Não lhe respondi, limitei-me contra toda a minha vontade, a soltá-lo. Estava diferente, mais alto e robusto, usava uns jeans desconhecidos e a sua camisola justa habitual. Um sinal que se lembrara de mim, ele sabia que adorava aquela camisola, sempre que a usava, fazia questão de lhe dizer como lhe ficava bem. Mas, não era só fisicamente que me pareceu diferente, a sua expressão também se modificara, supus que os sinais de cansaço começavam a ser visíveis.
Num impulso, abracei-o mais uma vez, e falei pela primeira vez desde que ele chegara:
- Amo-te, senti tanto a tua falta, não imaginas as saudades que tinha. Isto ainda me parece tão irreal e impossível.
- Eu estou aqui, é real, podes sentir- e pressionou-me contra ele, beijando-me a testa como já fizera vezes sem conta antes.
Levou-me até ao quarto, sem nunca me largar, e deitou-me em cima da cama, em seguida puxou uma manta e colocou-se ao meu lado, ainda sem nunca me soltar. Fechei os olhos e tenho a sensação que adormeci naquele momento.
Acordei, assim que me senti consciente, queria abrir os olhos e ter a certeza que a ultima noite tinha sido real. Esforcei as minhas pálpebras a efetuar o movimento de abertura, e olhei para o lado, e lá estava ele, exatamente como o imaginava. Estava a olhar para mim, e sorriu assim que os nossos olhares se cruzaram. Não teve oportunidade de falar, agarrei-me a ele, e beijei-o como se o mundo fosse acabar, nesse momento, senti novamente o que era ter a terra e o seu ali ao meu lado, e o que me fazia amá-lo tanto. Falamos durante horas, queria saber tudo o que se tinha passado enquanto esteve ausente:
- Quero saber tudo já, tudo mesmo. Conta-me!
Tive a certeza que já estaria á espera do meu interrogatório. Ele conhecia-me bem demais.
- É a maior cidade do mundo, é tudo fantástico, uma experiencia única, as pessoas todas me ajudaram, senti-me em casa – e hesitou por momentos – só que as saudades eram maiores que tudo, e as coisas já estavam a correr mal, tive de voltar, embora esteja também cheio saudades de tudo, dos cheiros, das multidões…

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